01 de Fevereiro de 2026

"A novidade de Jesus"

O ser humano é dotado de esperança, de vida em plenitude, deseja a felicidade sem fim. No Sermão da Montanha (Mt 5-7), Jesus dita a conduta para a verdadeira felicidade. A inclusão é norma que qualifica o ser humano, seguindo passo a passo no cumprimento dos preceitos já anunciados nos profetas. “Buscai o Senhor, humildes da terra, que pondes em prática seus preceitos; praticai a justiça, procurai a humildade; talvez achareis um refúgio no dia da cólera do Senhor” (Sf 2,3). É comum as pessoas se acomodarem na vida, acumularem atitudes inconvenientes e perderem o entusiasmo pela prática de boas obras. Retomar o entusiasmo original é uma ação construtiva que eleva a postura da boa conduta. 

O verdadeiro líder sabe extrair o máximo dos membros que compõem a comunidade de seguidores de Jesus Cristo. No Sermão da Montanha, Jesus surpreende as multidões quando anuncia o Reino do Pai para toda a humanidade. O Mestre dirige-se aos pobres, doentes, perturbados na vida. Tem um olhar diferenciado que desagrada muitas pessoas que esperam elogios, reconhecimento, aplausos. Um olhar de compaixão direciona a ação missionária para outro endereço. “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3). Introduz uma nova lei que supera a antiga. Jesus proclama a Nova Aliança, uma verdadeira carta magna para a comunidade cristã. O despojamento é a primeira atitude, direção e endereço do coração para a inclusão e compaixão para com os que sofrem e são excluídos do convívio na sociedade. 

Uma multidão vai ao encontro de Jesus na montanha (Mt 5,1), lugar privilegiado para se encontrar com Deus. Jesus ensina com autoridade. O ensinamento é uma característica de Jesus, que os discípulos vão compreender bem depois da ressurreição. O Sermão da Montanha começa com uma declaração solene: o Reino está chegando, porque os pobres estão sendo evangelizados. Cumpre-se a promessa do profeta: “Eles não cometerão iniquidades nem falarão mentiras; não se encontrará em sua boca uma língua enganadora; serão apascentados e repousarão, e ninguém os molestará” (Sf 3,13). A pobreza material transforma-se em total confiança na providência de Deus Pai; a aflição transforma-se em consolação messiânica; o desprendimento, em posse do reinado de Deus; a fome e a sede de justiça, em esperança radical trazida pela Boa Nova de Jesus. 

Das oito Bem-aventuranças, enumeramos quatro de caráter mais espiritual, enquanto as outras quatro indicam compromisso e empenho por mudança da realidade: com misericórdia e solidariedade, com uma vida honrada, com o trabalho pela paz e com reconciliação e firmeza diante da perseguição. São posturas que edificam a qualidade de vida, convertendo os comportamentos humanos em sinais da presença do Reino de Deus no meio de nós. 

Os ensinamentos de Jesus são compatíveis para todas as camadas humanas. Os mais simples, iletrados, pobres têm acesso à Boa Nova. “Na verdade, Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir os sábios; Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, para que ninguém possa gloriar-se diante dele” (1Cor 1,27-29). 

Que a Palavra de Deus nos ensine a viver diferente, com mais humildade e simplicidade de vida. Demos início a uma nova humanidade sustentada no amor, na prática da justiça e no respeito mútuo. Eis a novidade que Jesus trouxe para todas as pessoas que acreditam no Reino de Deus. 


Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM 

Publicado no Jornal O Maringá, 1°.02.2026