Neste domingo, a Palavra de Deus transmite alegria por estarmos mais próximos da festa da Páscoa. É considerado o Domingo Laetare, domingo da alegria. Em tempos de escassez de inteligência, a sociedade experimenta atitudes ignorantes, cegas, desumanas. A intervenção do Senhor elimina as cegueiras, a humanidade é conduzida com ternura, com a luz que professa a fé n’Aquele que é sabedoria e segurança do povo.
Caminhamos rumo à festa da Páscoa do Senhor. É a passagem da ignorância para a luz do Senhor, que, ao assumir os pecados da humanidade, elimina a dor da Cruz e ressuscita no terceiro dia, razão da nossa fé, esperança e salvação. Há um caminho de conversão a ser feito. Não podemos mais perder tempo.
O povo antigo sonhava em ter um rei, alguém que, com braço forte, governasse o povo. Deus indicou Davi para ser o rei que governasse com justiça, a serviço da humanidade e não dos privilégios de elites, sabotando os direitos do povo. “Enche o chifre de óleo e vem para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos” (1Sm 16,1b). Enquanto as pessoas indicavam alguém simpatizante, sem compromisso com a causa, esqueceram o último, mais comprometido com a causa da dinâmica da vida. O Senhor indicou aquele que está a serviço dos irmãos. Davi foi ungido e se tornou o maior dos reis entre os judeus. O Senhor estava com ele, e Davi vivia na intimidade com o Senhor.
Na história da salvação, Deus conduz o povo com sabedoria e luz que ilumina os povos. Mesmo que a humanidade esteja, tantas vezes, imersa em trevas, Deus, no escondido, age e chama para a luz que produz vida e alegria. Completados os tempos, Deus enviou Seu próprio Filho ao mundo para ser luz das nações. Na noite do Seu nascimento, uma luz indicou o local onde o menino foi deitado na manjedoura. Na Sua vida pública, na missão de anunciar a Boa Nova, o Seu Reino de amor, de justiça, Ele curou cegos, coxos, surdos, todo tipo de doenças, expulsou demônios e anunciou o Reino de Deus. Mesmo assim, a cegueira das autoridades, sem rumo e sem alma, não reconheceu a Jesus como guia, caminho, verdade e amor.
A história do cego (Jo 9,1-41), que ouvimos na liturgia de hoje, nos transmite uma alegria muito grande. Jesus age com sabedoria em todos os dias da semana, sem excluir nenhum, para fazer o bem às pessoas. Ele cura, anuncia o Reino dos Céus, segue Seu caminho, enquanto as autoridades cegas, sem visão da realidade, procuram razões escrupulosas para condenar Aquele que dá visão, liberta, cura, encaminha, salva, devolve a alegria de viver.
Hoje somos abordados por grupos de pessoas que reproduzem a mesma mentalidade dos fariseus do tempo de Jesus. Cegos, fundamentalistas, interesseiros, escassos em inteligência para perceber os sinais de conversão.
O tempo quaresmal é oportunidade para rever as emoções interiores, o olhar sereno, desarmante, procurar o Senhor que se deixa encontrar e buscar a conversão do coração. Para chegarmos à Páscoa do Senhor, é preciso olhar para os semelhantes e perceber que, juntos, na mesma sintonia do bem e da conversão, a vida se torna mais leve, o trabalho produz mais eficiência, as relações humanas, afetivas e espirituais convergem para perceber que o Reino de Deus já está no meio de nós.
A Páscoa é a celebração vitoriosa em Jesus Cristo Rei, nos ilumina, nos conduz para as pastagens seguras, moradia com dignidade, para o bem viver.
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 15.03.2026




