Desde a Páscoa, a liturgia nos lembra com entusiasmo a ressurreição de Jesus. O que ganhamos com isso? Quais os frutos desse tempo pascal que chega ao seu término e inicia a missão dos discípulos de anunciar a Boa Nova?
Deus enviou Seu Filho ao mundo para anunciar o Reino dos Céus. Durante os anos da vida pública, de todas as formas, Jesus anunciava o Reino de Deus. Utilizando a simbologia de parábolas, comparações, curava doentes, realizava ações que humanamente ninguém conseguia até então realizar; mesmo assim, os discípulos ainda não entenderam a mensagem do Mestre. “Assim reunidos, eles o interrogavam: ‘Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel?’” (cf. At 1,1-11).
Abrir a mente para deixar o Espírito Santo iluminar para boas ações e acreditar na mensagem da Sagrada Escritura. Entendemos que o nosso testemunho de vida é anunciar a Boa Nova trazida por Jesus Cristo. Há um processo que a fé nos esclarece e nos entusiasma para viver e agir conforme a vontade de Deus. É preciso crer, lançar-se com coragem e viver a experiência do amor e fraternidade como Jesus ensinou. Assim, entendemos como anunciar a Boa Nova.
A despedida de Jesus diante dos discípulos é a prova de que Ele terminou a missão de Deus Pai de anunciar o Reino dos Céus; agora, cabe aos que foram batizados em Seu nome dar continuidade ao anúncio do Evangelho da alegria.
Na despedida, Jesus conferiu a autoridade aos discípulos para serem testemunhas da Sua doutrina: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,16-20).
A ascensão de Jesus é o limite de um tempo para inaugurar outro. Até então, a companhia prazerosa junto ao Mestre era confortadora. Ele anunciava, era criticado, ameaçado, desprezado, elogiado, aclamado e condenado por multidões. Quando Jesus entrega a missão do Pai aos discípulos, tudo muda. Mas é preciso acreditar, deixar-se conduzir pelo Espírito de Deus. A festa de Pentecostes é a tomada de coragem e mudança radical dos que abraçaram a fé no Messias e se lançaram a anunciar o Reino de Deus. Hoje, contemplamos a cena da despedida e da entrega da responsabilidade aos que aderiram à sua mensagem.
No Evangelho da Ascensão do Senhor, é estranho que Jesus envia os discípulos para anunciar o que eles até então ainda não tinham clareza do que deveriam fazer. Permaneceram trancados, ainda em clima de espera, de desconfiança, de medo. Faltava-lhes o dom do Espírito Santo, que encoraja e ilumina para as ações proclamadas por Jesus ao longo dos anos, quando anunciava o Reino de Deus na presença dos discípulos e de muita gente. Eles não abandonaram o Senhor porque anteriormente, prometeram segui-lO. A promessa de Jesus de estar com eles todos os dias: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” sustentou que algo ainda estava para acontecer. A fé, animada de esperança permitiu que eles não se dispersassem e continuassem reunidos em clima de espera. Jesus retornou para o Pai; cabe aos discípulos aceitarem o processo de mudança de vida e anunciarem a Boa Nova com coragem e determinação.
Jesus subiu aos Céus, e nós, aqui na terra, sob o impulso do Espírito Santo, caminhamos rumo ao Céu na medida em que praticamos as obras anunciadas por Jesus.
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 17.05.2026




