Vivemos cercados de novidades. Com frequência, novas coisas surgem e modernizam a sociedade. Com a rapidez com que as coisas acontecem, ficamos devendo no avanço da humanização, da paz.
Hoje, é dia de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos e algumas pessoas reunidas, com medo dos judeus. Portas trancadas como manifestação da fragilidade das seguranças humanas, Jesus aparece no meio deles. Nenhuma segurança e proteção impediu Jesus de entrar sem abrir portas, escancarar espaços para entrar ou sair.
A presença de Jesus inunda os corações de paz e de segurança. Tomados de coragem, deixam-se guiar pelo Espírito Santo. A mensagem proclamada, anunciada por Jesus em Sua vida pública, com a vinda do Espírito Santo, toma nova forma, nova atitude, novo modo de ser, de agir. Vencer a barreira do medo é a tarefa primordial para que as relações humanas sejam qualificadas para uma convivência madura, equilibrada, fraterna, solidária. Nenhuma porta trancada impede que a paz se estabeleça no coração das pessoas. É preciso abrir o coração para que o Espírito Santo possa iluminar para as boas obras.
Jesus insistentemente prometeu que lhes enviaria o Espírito Santo. Na Santa Missa, recitamos juntos, na Profissão de Fé (Credo) mais longo: “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”. O mesmo Espírito Santo que desceu sobre os apóstolos e sobre a Mãe de Jesus, desceu sobre nós no dia do Batismo. Portanto, somos beneficiados pela graça de Deus para sermos participantes da divina inspiração sob a luz do Espírito Santo.
A participação efetiva na vida da comunidade de fé, recebemos e agimos conforme a inspiração do Espírito de Deus e renovamos a nossa vida segundo os mandamentos de Deus e o anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo.
A comunidade reunida é a primeira atitude e decisão do grupo de discípulos formados por Jesus. O medo, portas trancadas, ameaças são superadas quando Jesus se faz presente. Ele é a segurança, o guia, o caminho a ser percorrido. No reconhecimento da presença de Jesus, os apóstolos seguem a mesma missão de Jesus, anunciam o Reino de Deus e a Sua justiça no mundo. Quem vai garantir o êxito da missão dos apóstolos é o Espírito Santo.
Cabe a nós, batizados em nome de Jesus, anunciar as boas obras, a paz desejada, a justiça praticada e renovar o rosto da humanidade.
A paz se conquista com diálogo, com ações justas, seguras e de sensibilidade humana. As tecnologias modernas devem ser utilizadas para fomentar a paz e acolher todas as pessoas, sobretudo as mais vulneráveis e excluídas. O benefício da tecnologia deve estar a serviço da vida, da proteção da vida. Enquanto países se enriquecem em fabricar armas para matar o ser humano, destruir a natureza, dom de Deus, está longe de renovar a face da terra. A hipocrisia humana é o maior inimigo da paz e da justiça.
No juízo final, seremos reconhecidos diante de Deus pelo bem que praticamos e não pela destruição do mundo querido por Ele.
A nossa ação deve ser a mesma que Jesus testemunhou, e buscamos n’Ele a fonte da vida, a segurança, a liberdade de viver e proclamar que Ele é o Senhor da vida e n’Ele buscamos o refúgio de nossas vidas.
Que a festa de Pentecostes seja o marco sagrado de nossa vida para agir segundo a inspiração do Espírito Santo, e nos enchermos de coragem para renovar a face da terra e criar uma nova humanidade.
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 24.05.2026




