07 de Junho de 2026

"A verdadeira fé transforma"

Fazendo memória dos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, lembramos de um homem simples, de família rica, que se fez pobre para enriquecer a fé no seguimento de Jesus Cristo. A sua história de vida revela que a fé é um processo de busca constante e o corajoso que muda o rumo da vida. O novo rumo não tem perigo do fracasso, mas de lutas, de superações, de acreditar e viver com firmeza para alcançar o almejado. 

A fé verdadeira lança o ser humano nos braços da misericórdia de Deus, e o Senhor da vida nunca abandona quem crê e vive a fé íntegra, simples e autêntica. 

O profeta Oséias (6,3-6), que conhecia a luta e os sofrimentos dos pequenos agricultores que viviam sob a escravidão do militarismo e da religião. O profeta do meio agrícola denunciou o aparato da exploração dos militares para produzir, em função da exportação, prega a esperança da libertação do sistema. Esta prática era justificada pela própria religião da época. Sua voz se levanta com os termos da agricultura: “sua chegada é certa como a aurora, ele virá a nós como a chuva, como o aguaceiro que ensopa a terra” (v. 3). É típico dos profetas o apelo a conhecer a Javé, ou seja, a experimentá-lo como o Deus da vida, e não como o Deus que abençoa e favorece a exploração dos grandes sobre os pequenos. 

No Evangelho (Mt 9,9-13), Jesus vem confirmar a missão dos profetas e incluir os renegados, excluídos da religião e da sociedade. Faz o caminho inverso: em vez de separar, une, traz para junto de si, integra, converte, muda de postura a vida do pecador. Mateus é símbolo da conversão, da mudança de vida, porque acreditou no Mestre que o chamou para uma nova forma de vida. A fé pura alimenta a coragem para assumir o diferente, o desconhecido, a lançar-se na inspiração da novidade, vida que se refaz e planifica na busca da verdade, da justiça, frutos do amor e da paz. Para os fariseus, era ponto de honra não ter nada em comum com os pecadores e impuros. Eles se consideravam “justos” por cumprir a Lei. Assim sendo, colocavam-se como fim a si mesmos, sem precisar de Deus. Eis a mudança que Jesus vem provocar, que os levou a rejeitar a Sua pregação. A Sua vinda é para salvar o que estava perdido. Abre caminhos para os que desejam mudar de atitude, acreditar na nova forma de inclusão que acolhe e cuida dos vulneráveis, pobres, doentes, abandonados. 

Somos chamados, como Mateus, para mudar de rumo as nossas vidas. Há uma certa euforia em comentar que as igrejas estão cheias de fiéis. Será que são fiéis ao seguimento de Jesus? Como nos colocamos diante das exigências que o Evangelho nos apresenta durante a ceia na casa de Mateus, onde Jesus acolhe os pecadores, objeto de questionamento dos fariseus? Como acolhemos os pobres, os diferentes? Como nos dispomos a ajudar as gestantes, as famílias com crianças de primeira infância que necessitam de uma autêntica educação, cuidado pela vida, equilíbrio para formar harmoniosamente o cérebro de uma criança sem os excessos das telas etc.? 

Na carta aos Romanos (4,18-25), São Paulo nos ensina o que é ter uma verdadeira fé, que nos inclui no chamado de Jesus. Esta é a verdadeira fé: compromisso, ação transformadora, acolhe, cuida, protege, integra e salva vidas sem manipulações e escravidões. 

Eis a verdadeira religião que purifica a nossa fé, pela qual transformamos o mundo em sinais do Reino de Deus no meio de nós. 


Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM

Publicado no Jornal O Maringá, 07.06.2026