A Igreja se reúne para celebrar o mistério da fé que alimenta a comunhão com Deus por meio da Palavra Sagrada e da Eucaristia. Ao redor da mesa da Palavra e do Pão da Vida, somos fortalecidos na esperança, iluminados pela graça e enviados em missão para testemunhar o amor de Deus no mundo. Somos convidados a olhar para a paciência misericordiosa de Deus e para a responsabilidade de cultivarmos o bem em nossa vida e em nossa comunidade.
O livro da Sabedoria (Sb 12,13-19) revela um Deus cheio de bondade e compaixão. Mesmo sendo Senhor de todas as coisas, Ele governa com misericórdia e oferece aos pecadores a possibilidade do perdão e da conversão. Deus não age com violência nem condena precipitadamente; ao contrário, concede tempo para que o coração humano amadureça no amor e volte para Ele. Esta é uma grande mensagem para o nosso tempo, marcado por julgamentos rápidos, divisões e intolerância. Deus nos ensina que a verdadeira força nasce da misericórdia e do amor paciente.
São Paulo, na Carta aos Romanos (Rm 8,26-27), recorda-nos que não caminhamos sozinhos. Em nossas fraquezas e limitações, o Espírito Santo intercede por nós com “gemidos inefáveis”. Quantas vezes não sabemos rezar, não encontramos palavras diante da dor, do sofrimento ou das incertezas da vida! O Espírito Santo conhece o íntimo do nosso coração e apresenta ao Pai aquilo que muitas vezes não conseguimos expressar. Esta presença do Espírito é fonte de consolo e esperança para as famílias, para os jovens, para os idosos e para todos aqueles que buscam viver fielmente o Evangelho.
No Evangelho de São Mateus (Mt 13,24-43), Jesus apresenta a parábola do trigo e do joio. O Senhor compara o Reino de Deus a uma semente boa lançada na terra, mas alerta que, no meio do trigo, também cresce o joio. A mensagem de Jesus é profundamente atual. O bem e o mal convivem no mundo, na sociedade e até mesmo no coração humano. O discípulo de Cristo é chamado a discernir, a saber distinguir o joio do trigo, sem perder a esperança e sem se deixar vencer pelo mal.
Jesus nos ensina que não devemos agir com precipitação nem assumir o lugar de juízes absolutos. Deus é paciente e conhece o tempo de cada pessoa. Muitas vezes, aquilo que parece fraco ou pequeno pode tornar-se uma grande obra de graça. O Reino de Deus cresce silenciosamente, como a semente lançada na terra, produzindo frutos de justiça, fraternidade e paz.
A Iniciação à Vida Cristã (IVC), exige um compromisso concreto das famílias e das comunidades. Não basta apenas receber os sacramentos; é necessário cultivar a fé diariamente. A catequese, a participação na comunidade, a vida de oração, o envolvimento nas pastorais e movimentos da Igreja ajudam crianças, jovens e adultos a crescerem como discípulos missionários de Jesus. A família continua sendo a primeira escola da fé, lugar onde se aprende a rezar, a perdoar, a partilhar e a amar.
Vivemos num mundo que muitas vezes semeia violência, individualismo e desânimo. Por isso, o cristão é chamado a ser semente do bem, da paz e do amor. Cada gesto de solidariedade, cada palavra de esperança, cada atitude de reconciliação torna presente o Reino de Deus no meio da humanidade. Somos convidados a produzir frutos bons, alimentados pela Palavra e fortalecidos pela Eucaristia.
Que possamos acolher a Palavra de Deus com sinceridade, deixar-nos conduzir pelo Espírito Santo e viver como trigo bom no campo do Senhor, testemunhando a paz, a justiça e o amor que vêm de Cristo.
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 19.07.2026




