O mês de agosto é tempo precioso de oração, reflexão e compromisso com a missão. Hoje celebramos a vocação sacerdotal, rezando pelos padres, pastores do povo de Deus, chamados a servir com amor, coragem e fidelidade. O presbítero é sinal da presença de Cristo Bom Pastor, no meio da comunidade, anunciando a Palavra, celebrando os sacramentos e conduzindo o povo na unidade, na esperança e na caridade.
Somos convidados a levantar a cabeça e renovar a confiança em Deus. O profeta Isaías (Is 55,1-3) dirige uma mensagem corajosa e cheia de esperança ao povo que retornava do exílio na Babilônia. Depois de tempos difíceis, sofrimento, humilhação e perda, o povo precisava reencontrar a força interior para continuar caminhando. Isaías anuncia que o Reino do Messias está acima dos reinos deste mundo. Os poderes humanos passam, as estruturas humanas são frágeis, mas a promessa de Deus permanece firme. O Senhor não abandona Seu povo. Ele caminha com os pequenos, sustenta os cansados e devolve dignidade aos que perderam a esperança.
Também hoje muitas pessoas vivem situações de exílio existencial. Quantas famílias enfrentam dificuldades financeiras, enfermidades, dores emocionais e relacionamentos machucados. Quantos corações carregam angústias profundas, medo do futuro, insegurança e desânimo. Em muitos momentos, diante das dificuldades da vida, podemos correr o risco de nos acomodar, de esfriar a fé e até mesmo de dispensar Deus do centro de nossa existência. São Paulo, na Carta aos Romanos (Rm 8,35-39), nos faz um forte questionamento que atravessa os séculos e toca o coração de cada cristão: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada?”
O apóstolo nos recorda que nada pode nos afastar do amor de Deus quando permanecemos unidos a Cristo. As dores da vida não têm a última palavra. O sofrimento não destrói a esperança daqueles que confiam no Senhor. Mesmo em meio às lágrimas, Deus continua agindo silenciosamente, fortalecendo nossa caminhada e sustentando nossa missão. É preciso permanecer firmes, cultivando a oração, a fraternidade e a confiança na providência divina.
São Mateus (Mt 14,13-21) nos apresenta Jesus ensinando o povo e realizando o milagre da partilha. O Senhor nos mostra que a fé não pode ficar apenas nas palavras ou nas intenções. O amor cristão se transforma em gestos concretos de solidariedade, acolhida e serviço. Jesus não manda despedir o povo faminto; ao contrário, diz aos discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer.” Esta palavra ecoa fortemente em nosso tempo.
Não devemos esperar apenas que os poderes públicos resolvam todas as necessidades dos pobres e sofredores. É missão de cada cristão cuidar da vida, ajudar quem pede auxílio, acolher os que sofrem, educar para os valores humanos e cristãos, estimular o bem, superar as diferenças e construir comunhão. Somos chamados a vencer a animosidade, o egoísmo e a indiferença, para semear alegria, serenidade e paz. A vocação nasce justamente quando o coração humano se abre para servir.
O mês vocacional é ocasião para rezarmos pelas vocações sacerdotais, religiosas, matrimoniais e leigas. A Igreja precisa de homens e mulheres corajosos, disponíveis para a missão, comprometidos com o Evangelho e apaixonados pelo Reino de Deus. Rezemos especialmente pelos padres, para que sejam fortalecidos em sua missão de anunciar a Palavra, cuidar do povo e testemunhar a unidade da Igreja.
Que Maria, Mãe das Vocações, acompanhe nossa caminhada. Que São João Maria Vianney, padroeiro dos sacerdotes, interceda por todos os padres, para que nunca desanimem diante das dificuldades.
Que a Mãe de Jesus, nos estimule a viver com alegria a vocação, dom de Deus.
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 02.08.2026




