06 de Setembro de 2026

"Abertura do Mês da Bíblia"

Iniciamos o Mês da Bíblia, ocasião privilegiada para renovar nossa escuta da Palavra de Deus, fortalecer nossa adesão ao Evangelho e aprofundar nossa comunhão com o Senhor, que continua a falar ao coração do Seu povo. Neste ano, somos convidados a contemplar e meditar o Livro do Profeta Daniel, sob o lema: “Seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14). 

Em um mundo marcado pela instabilidade, pelas guerras, pelas injustiças e pelas profundas transformações culturais, a Palavra de Deus nos recorda uma verdade consoladora e permanente: somente o Reino de Deus permanece para sempre. Os impérios humanos passam, os projetos construídos sobre interesses passageiros desaparecem, mas o Reino inaugurado por Cristo subsiste eternamente, porque está fundamentado na verdade, na justiça, na misericórdia e no amor. Daniel anuncia a soberania de Deus sobre a história e fortalece a esperança dos fiéis em tempos de perseguição e sofrimento. Também nós somos chamados a permanecer firmes na fé, certos de que o Senhor conduz os acontecimentos humanos para a realização de Seus desígnios de salvação. 

O Profeta Ezequiel, apresenta-nos a nobre missão da sentinela. O Senhor confia ao profeta a responsabilidade de advertir o pecador para que se converta e viva: “Se não advertires o ímpio, eu te pedirei contas de sua morte” (Ez 33,8). Essas palavras não devem ser compreendidas como ameaça, mas como manifestação da seriedade da vocação recebida por aqueles que foram chamados a servir ao povo de Deus. A fé cristã não permite a indiferença diante do sofrimento espiritual dos irmãos. Somos corresponsáveis uns pelos outros. O amor verdadeiro não abandona, não ignora e não se acomoda diante do erro, mas procura conduzir o próximo ao encontro da verdade que liberta e salva. 

O Evangelho segundo São Mateus apresenta o ensinamento de Jesus sobre a correção fraterna e a reconciliação. O Senhor indica um caminho marcado pela discrição, pela misericórdia e pelo sincero desejo de recuperar o irmão para a comunhão: “Se ele te ouvir, tu ganharás o teu irmão” (Mt 18,15). O objetivo da ação cristã nunca é condenar, humilhar ou excluir, mas restaurar os laços da fraternidade. A comunidade eclesial deve ser sempre sinal e instrumento de reconciliação. Onde houver divisões, que floresça o diálogo; onde houver feridas, que se manifeste a misericórdia; onde houver afastamentos, que resplandeça a caridade que reconduz à unidade. 

A Carta de São Paulo aos Romanos, oferece-nos a síntese admirável de toda a vida cristã: “O amor é o cumprimento perfeito da Lei” (Rm 13,10). O amor constitui a plenitude de todos os mandamentos e a expressão mais elevada da vontade de Deus. 

O Papa Leão XIV tem recordado que o perdão é uma das expressões mais elevadas da caridade cristã e uma condição indispensável para a construção da paz. Não há futuro para a humanidade sem a cultura do encontro; não há comunhão eclesial sem a disposição sincera de perdoar e recomeçar. 

A Sagrada Escritura é fonte inesgotável de sabedoria, luz para os nossos passos e alimento para a nossa fé. Exorto nossas famílias, comunidades, paróquias, movimentos e pastorais a intensificarem a prática da leitura orante da Bíblia, a participação nos círculos bíblicos e nas Comunidades Eclesiais de Base. 

Ao abrirmos este Mês da Bíblia, peçamos ao Espírito Santo que desperte em todos nós uma renovada paixão pelas Sagradas Escrituras. Que ela cure as divisões, fortaleça a comunhão e conduza nossas comunidades pelos caminhos da santidade e da missão. 

Confiemos este tempo de graça à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, a Senhora da Glória, Mãe da Igreja e discípula perfeita da Palavra. 


Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM 

Publicado no Jornal O Maringá, 06.09.2026