A Palavra de Deus nos convida a olhar para a vida com responsabilidade, fé e esperança. Neste dia, celebramos os 800 anos da morte de São Francisco de Assis, homem de profunda vivência evangélica, apaixonado por Jesus Cristo, promotor da paz, irmão de todas as criaturas.
São Francisco compreendeu que seguir Jesus significa acolher o Evangelho e transformá-lo em vida. Sua existência foi marcada pela oração, pela simplicidade, pela fraternidade, pelo cuidado com os pobres e pela integração de todas as criaturas. Seu testemunho continua atual e nos recorda que não podemos viver uma fé distante das necessidades humanas e da realidade em que estamos inseridos.
O profeta Isaías recorda a vinha cuidadosamente preparada por Deus, que esperava bons frutos, mas encontrou injustiça: “Esperei deles a prática da justiça, e eis o sangue derramado; esperei a retidão, e eis os gritos de socorro” (Is 5,7). A Palavra ganha especial significado neste dia de eleições. O exercício da cidadania exige consciência, responsabilidade e compromisso com o bem comum. Nossas escolhas devem buscar a justiça, a paz, a dignidade humana e o cuidado com os mais vulneráveis.
A vinha é um dom confiado às nossas mãos. A sociedade, a família, a Igreja e a criação são realidades que precisamos cuidar. Não somos proprietários absolutos da vida; somos administradores responsáveis dos dons que Deus nos confia. Por isso, precisamos perguntar: que frutos estamos produzindo? Frutos de justiça, fraternidade e solidariedade ou frutos de divisão, violência e indiferença?
São Paulo, na Carta aos Filipenses, nos oferece uma palavra de confiança: “Em todas as circunstâncias, apresentai a Deus as vossas súplicas, acompanhadas de ação de graças” (Fl 4,6). A oração nos fortalece para enfrentar os desafios da realidade com serenidade e coragem. O cristão não foge do mundo; iluminado pela fé, participa da sua transformação.
Jesus apresenta os vinhateiros que receberam a missão de cuidar da vinha, mas esqueceram que ela não lhes pertencia. A parábola nos recorda que tudo aquilo que recebemos de Deus deve ser colocado a serviço da vida. Somos chamados a construir uma verdadeira cultura do cuidado, da inclusão e da fraternidade.
Cuidar é acolher quem chega, ouvir quem sofre, proteger as crianças, valorizar os adolescentes e os jovens, acompanhar os enfermos, amparar os pobres, acolher os migrantes e não permitir que ninguém seja descartado. Cuidar é também aprender a caminhar juntos, construindo uma Igreja de portas abertas, onde todos possam encontrar espaço, participação e acolhida.
Neste Mês Missionário, renovemos nosso ardor evangelizador. Uma Igreja missionária sai ao encontro das pessoas e leva esperança às periferias humanas e existenciais. Valorizemos a Infância e Adolescência Missionária e a Juventude Missionária, reconhecendo crianças, adolescentes e jovens como protagonistas da missão da Igreja.
Que nossas famílias sejam também lares de aconchego, oração e cultura missionária. É dentro de casa que aprendemos a amar, perdoar, servir e cuidar. Maria, Mãe de Jesus, é para nós a grande e primeira missionária do Pai. Ela acolheu a Palavra, colocou-se a caminho e levou Cristo ao encontro das pessoas.
Ao celebrarmos os 800 anos da Páscoa de São Francisco, peçamos que seu testemunho nos ajude a viver com mais simplicidade, fraternidade e compromisso com os pobres, com a paz e com toda a criação.
Que o Senhor nos conceda a graça de cuidar bem da vinha que nos confiou e de produzir frutos de justiça, inclusão, solidariedade e esperança. Que nossa fé se transforme em serviço, nossa oração em compromisso e nossa vida em missão.
Senhor, fazei de nós instrumentos do vosso cuidado, da vossa paz e da vossa missão.
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 04.10.2026




