Deus prepara para Seu povo um banquete abundante, no qual ninguém deve ficar excluído. O profeta Isaías anuncia: “O Senhor dos exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias” (Is 25,6). É o banquete da fraternidade e da vida para sempre, a festa em que Deus enxuga as lágrimas, vence a morte e devolve esperança aos Seus filhos.
O banquete de Deus, porém, não é uma festa reservada a alguns privilegiados. É o banquete da justiça do Reino. No Evangelho de Mateus (22,1-14), Jesus compara o Reino dos Céus a um rei que prepara a festa de casamento de seu filho e envia os convidados. Entretanto, muitos recusam o convite. Os primeiros convidados representam aqueles que, fechados em seus interesses, não querem participar da novidade do Reino. A lógica de Jesus é diferente da lógica das elites que pretendem controlar a mesa, os lugares e os benefícios. O Reino de Deus não aceita privilégios que produzam exclusão.
Diante da recusa dos primeiros convidados, o rei manda chamar outros: “Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes” (Mt 22,9). Assim, os marginalizados, os pobres, os esquecidos e aqueles que estavam fora dos espaços de reconhecimento passam a participar do banquete. A mesa de Deus se alarga. Não podemos fechar suas portas nem estabelecer barreiras que impeçam alguém de experimentar a misericórdia, a fraternidade e a alegria do Evangelho.
A parábola nos apresenta uma segunda exigência. O convidado que entra na festa sem a veste adequada é interpelado pelo rei. Isso nos recorda que participar do banquete do Reino exige conversão. Os empobrecidos e marginalizados, ao serem acolhidos, também são chamados a aprender e viver a justiça do Reino. Não basta ocupar um lugar à mesa; é necessário assumir um novo modo de viver, revestir-se de solidariedade, misericórdia, honestidade, compromisso com a vida e cuidado com o próximo.
São Paulo, na Carta aos Filipenses (4,12-20), apresenta a experiência de quem aprendeu a viver na abundância e na necessidade. Ele sabe viver com pouco e com muito, porque encontrou sua força em Cristo. Ao mesmo tempo, reconhece a solidariedade da comunidade que partilha suas necessidades. Eis o verdadeiro banquete: ninguém acumula enquanto o outro passa fome; ninguém vive isolado enquanto o irmão sofre. A mesa cristã é lugar de partilha, solidariedade e cuidado.
Ser Igreja é ser a casa onde o Reino de Deus se manifesta. A comunidade cristã deve ser casa da acolhida, da festa e da alegria; casa onde o pobre encontra dignidade, o enfermo encontra cuidado, o migrante encontra espaço, a criança encontra proteção, a família encontra apoio e todos podem experimentar a ternura de Deus. A Igreja é chamada a ser uma comunidade de portas abertas, capaz de acolher sem discriminar, cuidar sem julgar e servir sem buscar privilégios.
Neste Mês Missionário, aprofundamos nossa missão na dinâmica do acolher e cuidar. A missão não consiste apenas em anunciar palavras, mas em tornar visível, por meio de gestos concretos, o amor de Deus. Somos missionários quando abrimos a mesa, quando visitamos quem sofre, quando cuidamos dos pobres, quando defendemos a vida, quando promovemos a reconciliação e quando construímos pontes de fraternidade.
Celebrar o Dia das Crianças é renovar nosso compromisso com uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.
Que participemos da festa da Mãe, da festa das crianças e da festa da vida, não apenas com alegria exterior, mas com espírito de fraternidade e unidade e que todos possam experimentar a alegria do Reino de Deus.
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 11.10.2026




