25 de Outubro de 2026

"Deus nos ama sempre"

A Palavra de Deus nos coloca diante do centro da nossa fé: o amor. Deus nos ama sempre, de maneira gratuita e incondicional, e nos entrega o mandamento que deve orientar toda a nossa existência:  amar a Deus e amar o próximo. Não se trata de um sentimento passageiro, mas de uma escolha de vida, de uma maneira nova de olhar para Deus, para as pessoas e para toda a criação. 

Jesus é questionado sobre qual é o maior mandamento da Lei (Mt 22,33-40). Sua resposta é clara e profunda: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!”. E acrescenta imediatamente: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Nesses dois mandamentos está toda a Lei e os Profetas. Jesus une inseparavelmente o amor a Deus e o amor ao próximo. Não podemos dizer que amamos a Deus se permanecemos indiferentes diante do sofrimento de nossos irmãos e irmãs. 

O amor cristão não é apenas uma palavra bonita. Ele se transforma em misericórdia, acolhida, cuidado, solidariedade e compromisso com a vida. A misericórdia não anula a Lei; ela a aperfeiçoa, porque revela o coração de Deus que está por trás de todos os mandamentos. 

O livro do Êxodo (22,20-26), mostra de maneira muito concreta o rosto de Deus que acolhe aqueles que estão em situação de fragilidade. Deus se apresenta como aliado das viúvas, dos órfãos, dos estrangeiros, dos pobres e de todos os que sofrem. A experiência da fé não pode estar separada da defesa da dignidade humana. 

Jesus leva esse caminho do amor até as últimas consequências. Ele não apenas ensinou o amor: viveu o amor e entregou a própria vida por amor. Na Cruz, vemos a expressão maior de um amor que não coloca condições, que não busca recompensa e que permanece fiel mesmo diante da rejeição. O amor de Cristo não conhece fronteiras. Ele alcança os pecadores, os pobres, os enfermos, os excluídos e todos aqueles que desejam recomeçar. A Cruz revela que o amor verdadeiro é capaz de vencer o ódio, o egoísmo, a violência e a divisão. 

São Paulo, (1Ts 1,5-10), apresenta uma comunidade que acolheu a Palavra e passou a testemunhá-la com a própria vida. A fé não permaneceu apenas no discurso: transformou-se em prática, compromisso e testemunho. Uma comunidade cristã madura é aquela que faz a experiência do amor de Deus e, por isso, torna-se capaz de irradiar esse amor no mundo. Cada pastoral é chamada a ser espaço de acolhida, cuidado, participação e comunhão. 

É nesse caminho que compreendemos a importância de caminharmos juntos como Igreja sinodal. A sinodalidade nos convida a escutar uns aos outros, a reconhecer a dignidade e os dons de cada pessoa e a construir a unidade sem eliminar as diferenças. Uma Igreja sinodal não fecha as portas; abre caminhos. Não exclui; acolhe. Não alimenta divisões; promove encontros. 

Vivemos tempos marcados por conflitos, polarizações, agressividade nas palavras e profundas divisões na sociedade. Muitas vezes, até nossas comunidades são atingidas pela corrente do ódio e da intolerância. O Evangelho nos chama a romper essa corrente. 

O Papa Leão XIV tem insistido fortemente na construção da paz como caminho indispensável para a humanidade. A paz nasce de corações capazes de amar, acolher, perdoar e cuidar. Onde existe amor verdadeiro, existe espaço para a inclusão; onde existe acolhida, nasce a esperança; onde existe cuidado, a vida floresce. 

Que o Mês Missionário nos tenha ensinado que somos instrumentos da paz e da justiça no mundo. 


Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM

Publicado no Jornal O Maringá, 25.10.2026