Reflexão: Liturgia do II Domingo da Quaresma, Ano A – 1°/03/2026

27 de Fevereiro de 2026

"Reflexão: Liturgia do II Domingo da Quaresma, Ano A – 1°/03/2026"

“CONTUDO, SEGUIR JESUS IMPLICA JUSTAMENTE “DESCER DO MONTE”, VOLTAR À VIDA COTIDIANA E TESTEMUNHAR” (Mt 17,1-9) 

O Evangelho do 2° Domingo da Quaresma apresenta o episódio da Transfiguração de Jesus, quando Ele sobe a montanha acompanhado de Pedro, Tiago e João. Nesse momento, Jesus revela de modo luminoso a Sua identidade divina, confirmando aquilo que já havia sido anunciado no batismo: Ele é o Filho amado do Pai (cf. Mt 3,17). Ao manifestar Sua glória, Jesus antecipa o que será plenamente revelado na Ressurreição. 

Moisés e Elias aparecem ao Seu lado como representantes da Lei e dos Profetas, testemunhando que toda a história da salvação converge para Cristo, o novo Legislador e Profeta da Nova Aliança. O desejo de Pedro de “armar três tendas” expressa o anseio humano de permanecer naquela experiência divina e remete à antiga Festa das Tendas (cf. Lv 23,39-43), quando Israel celebrava o tempo do Êxodo, vivendo em tendas sob a presença protetora de Deus. 

Mateus, ao narrar esse episódio, recorre a símbolos do Antigo Testamento para afirmar que, em Jesus, manifesta-se plenamente a glória do Pai. A revelação de Cristo como o Filho amado confirma Sua missão: realizar o projeto de salvação e libertação da humanidade por meio da entrega total de Si mesmo, em amor e obediência. 

A transfiguração aponta para a promessa da vida plena, reservada àqueles que, à semelhança de Jesus, aprendem a oferecer a própria existência em serviço e doação aos irmãos. Os três discípulos, maravilhados com a visão, hesitam em descer da montanha, imagem daqueles que preferem permanecer no êxtase da fé sem enfrentar a concretude e os desafios da realidade. 

Contudo, seguir Jesus implica justamente “descer do monte”, voltar à vida cotidiana e testemunhar, no meio dos homens, que a verdadeira felicidade nasce da doação e do amor. A fé cristã não é um refúgio que isola, mas um chamado a mergulhar na vida concreta, participando dos sofrimentos e das esperanças do mundo, para transformá-lo com o amor de Deus. 


Diác. Alexandre Hungaro Vansan

Diácono permanente da Arquidiocese de Maringá

Paróquia Jesus Bom Pastor, Paiçandu


Reflexão do Evangelho publicada na Revista Maringá Missão Ed. 314. Março/2026