“NÃO SÃO OS QUE ESTÃO BEM QUE PRECISAM DE MÉDICO, MAS SIM OS DOENTES.” (Mt 9,12-1,2)
O chamado de Mateus é, sem dúvida, um dos episódios mais revolucionários e impactantes do Evangelho, pois revela o olhar transcendente de Jesus, que atravessa as camadas das aparências sociais. Mateus era um publicano, alguém visto pela sociedade da época como um traidor da pátria e um pecador público. No entanto, Cristo não o enxerga pelo seu erro, mas pelo seu potencial de renovação. Ao dizer “Segue-me”, o Mestre oferece muito mais que um convite; Ele confere a Mateus uma nova identidade, retirando-o da marginalidade espiritual para o centro do projeto do Reino.
A prontidão de Mateus ao deixar a coletoria simboliza a essência da conversão radical: o abandono imediato da falsa segurança do dinheiro e do poder em troca da liberdade plena. O banquete que se segue, entre publicanos e pecadores, celebra o ápice dessa misericórdia. Enquanto os fariseus, presos ao legalismo, questionam a proximidade de Jesus com o ‘impuro’, o Messias inverte a lógica religiosa.
Ele se apresenta como o médico das almas, estabelecendo o paradigma de que a Igreja não é uma vitrine de santos para exibição de perfeição, mas um hospital de pecadores em constante busca de cura e acolhimento.
A frase “Misericórdia quero, e não sacrifício” (Os 6,6) é o coração desta passagem. Jesus ensina que a verdadeira religiosidade não reside em ritos externos vazios ou no julgamento severo do próximo, mas na capacidade de acolher e transformar. Ele nos convida hoje a abandonar nossas próprias “coletorias” contemporâneas — as amarras do egoísmo, do orgulho e do preconceito — para ocuparmos nosso lugar à Sua mesa de comunhão. A mensagem é clara: ninguém está tão distante que o olhar de Cristo não possa alcançar, e ninguém é suficientemente justo que não dependa, diariamente, de Sua graça redentora.
Diác. Antônio Manuel Lopes Jerônimo
Diácono permanente da Arquidiocese de Maringá
Paróquia Santa Maria Goretti, Maringá
Reflexão do Evangelho publicada na Revista Maringá Missão Ed. 317. Junho/2026




