Reflexão: Liturgia do 11° Domingo do Tempo Comum, Ano A – 14/06/2026

12 de Junho de 2026

"Reflexão: Liturgia do 11° Domingo do Tempo Comum, Ano A – 14/06/2026"

“DE GRAÇA RECEBESTES, DE GRAÇA DEVEIS DAR” (Mt 10,8) 

O Evangelho de Mateus nos apresenta um dos traços mais sublimes e profundos da humanidade de Jesus: a Sua capacidade de sentir a dor do outro como se fosse Sua. Ao contemplar as multidões cansadas, desorientadas e abatidas, como ovelhas que não possuem pastor, Ele é movido por uma compaixão visceral, um sentimento que remete ao movimento das entranhas. Para o Mestre, o sofrimento alheio jamais é tratado como um dado estatístico ou uma fatalidade social, mas como um apelo urgente que exige uma resposta imediata e transformadora. É nesse cenário de carência espiritual e física que Ele profere a frase que atravessa os séculos com renovado vigor: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Mt 9,37). 

A resposta de Jesus à profunda carência do mundo não é o isolamento ou a tentativa de agir sozinho, mas a ação de capacitar e enviar. Ele convoca os doze apóstolos, conferindo-lhes uma autoridade que transcende a lógica humana: não se trata de um poder para o domínio ou prestígio, mas de um caminhar para o serviço humilde e a cura restauradora. O envio de Jesus é de uma clareza absoluta: a missão cristã autêntica não se limita a belos discursos teóricos, mas se manifesta na prática concreta de expulsar o que oprime a alma e curar o que fere a dignidade humana. Somos chamados a ser extensões vivas das mãos de Cristo em um mundo que, ainda hoje, caminha exausto e “abatido” sob o peso de suas próprias dores. 

O critério fundamental dessa missão é a gratuidade: “De graça recebestes, de graça deveis dar”. Com isso, Jesus nos recorda que os dons, a fé e a própria existência são presentes de Deus, que só frutificam plenamente quando são compartilhados sem qualquer sinal de interesse egoísta ou busca por recompensa. Evangelizar, sob este olhar, é um ato de transbordamento espiritual: oferecermos ao mundo o consolo, a paz e a esperança que nós recebemos do Pai. Que saibamos olhar ao redor com os mesmos olhos de Jesus, transformando nossa compaixão em uma ação missionária que restaura a vida e devolve o sentido aos que sofrem. 


Diác. Antônio Manuel Lopes Jerônimo 

Diácono permanente da Arquidiocese de Maringá 

Paróquia Santa Maria Goretti, Maringá 


Reflexão do Evangelho publicada na Revista Maringá Missão Ed. 317. Junho/2026