“ARRANCAR O JOIO PREMATURAMENTE PODERIA DESTRUIR TAMBÉM O TRIGO” (Mt 13,24-43)
Neste domingo, a liturgia nos presenteia com um conjunto de parábolas que Mateus reúne para nos revelar o mistério do Reino de Deus em meio às contradições do mundo. A mais conhecida delas é a parábola do joio e do trigo. Um agricultor semeia boa semente em seu campo, mas, enquanto todos dormem, um inimigo vem e semeia joio. Ao crescerem juntos, os servos querem arrancar o joio, mas o proprietário ordena: “Deixai crescer um e outro até a colheita”.
Quantas vezes nós também nos sentimos como esses servos: impacientes, desejosos de “arrancar” todo mal que vemos ao redor — na Igreja, na sociedade, nas famílias, até dentro de nós mesmos? Queremos um mundo purificado já, sem manchas, sem contradições. Mas Deus nos ensina uma lógica diferente: a da paciência misericordiosa. Arrancar o joio prematuramente poderia destruir também o trigo. O Senhor respeita o tempo e confia no poder transformador da graça.
Essa parábola é um convite à humildade. Quantas vezes julgamos quem é “joio” e quem é “trigo”? Cuidado! Somente Deus, o dono da messe, sabe discernir os corações. Nossa tarefa não é arrancar, mas crescer. Crescer na fé, na caridade, na tolerância ativa. O joio não é desculpa para desistirmos do bem. Ao contrário, somos chamados a ser trigo resistente, que convive com o mal sem se deixar sufocar.
As parábolas seguintes — do grão de mostarda e do fermento — completam a mensagem. O Reino não começa com impérios poderosos, mas com pequenas sementes, com fermento escondido na massa. Deus age no oculto, no cotidiano, no aparentemente insignificante. Um gesto de perdão, uma palavra de esperança, um serviço silencioso: eis o fermento que transforma a história.
Neste mês de julho, em meio às colheitas e ao inverno manso de nossa terra, olhemos para o campo da vida. Não nos escandalizemos com o joio. Confiemos na paciência de Deus. E cuidemos para que nosso coração seja terra fértil, onde a boa semente dê frutos abundantes; não já amanhã, mas no tempo certo da colheita.
Que Nossa Senhora da Glória, padroeira de nossa arquidiocese, nos ensine a esperar no Senhor, mesmo quando o joio parece crescer mais forte.
Diác. Eduardo Amaral Pompeo
Diácono permanente da Arquidiocese de Maringá
Paróquia Santo Antônio de Pádua, Maringá
Reflexão do Evangelho publicada na Revista Maringá Missão Ed. 318. Julho/2026




