“O CHAMADO RECEBIDO NÃO EXALTA AS VIRTUDES DE QUEM OUVE A VOZ DO ALTO” (Lc 1,39-56)
No terceiro domingo deste mês, em que refletimos acerca da Palavra que o Senhor nos dirige para que O sigamos de perto, a Igreja celebra a Solenidade da Assunção de Maria. A Mãe de Jesus é inserida neste contexto porque se trata de um dogma de fé.
Quando a Igreja ressalta um dogma, significa uma verdade de fé, aquilo que somos chamados a professar. A Assunção de Maria é o dogma proclamado pelo Papa Pio XII, destacando que a Mãe de Jesus, preservada da mancha do pecado original, foi elevada ao céu em corpo e alma.
A liturgia deste domingo faz com que olhemos para a ação divina na vida de Nossa Senhora, que, ao ser chamada, coloca-se na disponibilidade em servir e voltar a sua vida para o Cristo. Nesse mesmo contexto litúrgico, também celebramos Nossa Senhora da Glória, Padroeira da Arquidiocese de Maringá.
O Evangelho narrado pelo evangelista Lucas identifica a ação de graças conduzida por Maria a Deus, porque ela reconhece que o chamado a ser a Mãe do Salvador não é uma escolha pessoal ou humana, mas parte da ação de Deus que faz esse convite.
O chamado recebido não exalta as virtudes de quem ouve a voz do alto, mas é um olhar mais intenso a quem está chamando, porque parte de um objetivo central. A Mãe de Jesus não se coloca num patamar diferente porque foi escolhida, mas a humanidade continua sendo a sua prioridade, tanto que ela reconhece a grandeza de Deus e faz questão de propagar essa mensagem de gratidão.
Maria permanece durante três meses com Isabel e isso também foi um aspecto importante, pois há uma saudação repleta de significado: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”
No mês dedicado às vocações, devemos ter este olhar do chamado que consiste em um projeto que vai além das nossas forças humanas e do caminho que buscamos construir somente com o uso da razão. É preciso ter maturidade para entender que, quando alguém é chamado a uma missão, o centro continua sendo aquele que chama.
Assim como Maria, nossa vida se dirige ao Senhor, para que a Sua obra continue por meio de Seus servos.
Pe. Marcelo Lopes de Medeiros
Presbítero da Arquidiocese de Maringá
Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo, em Inajá
Reflexão do Evangelho publicada na Revista Maringá Missão Ed. 319. Agosto/2026




